Sinceramente eu nunca soube muito bem o que eu quero ou não para mim, tenho lá as minhas verdades, as minhas preferências, mas não é nada fixo, dito, determinado.
Por exemplo, eu não sei qual é a minha cor favorita. Eu gosto de roupas pretas, gosto de esmaltes, e roupas vermelhas e tanto o meu quarto, quanto grande parte do meu guarda-roupa são roxo ou lilás, mas não consigo ver esta como a minha cor favorita. Acho que a minha cor favorita são essas 3, nenhuma predomina.
O mesmo acontece se você perguntar qual é meu cantor ou cantora favorito, banda então. E olha que eu amo música! Durante a minha vida eu já respondi a esta pergunta das mais diferentes formas! Por exemplo, agora eu poderia dizer que é The Smiths porque é a banda que no momento eu mais me identifico, mais me define, mas eu me conheço e logo isso vai passar. Poderia ser Guns N' Roses, ou Nirvana, as bandas da adolescência e que de vez em quando bate uma nostalgia e eu ouço com o mesmo fervor, mas não acho que hoje em dia elas tenham tanto a ver com o que eu sou agora. Gosto de Zé Ramalho, de Cássia Eller, gosto de música grega e de música espanhola. Não adianta não encontro um nome.
Pelo menos não o nome de ninguém, mas encontro músicas. Já postei algumas e posso citar outras tantas que eu amo, mas não existe uma só que seja a minha favorita, são várias e várias.
O mesmo acontece com os filmes. Antigamente era O Gladiador, adoro filmes épicos, depois passou para Uma Mente Brilhante, A Casa No Lago, O Casamento Do Meu Melhor Amigo, Uma Linda Mulher. Hoje em dia eu também não tenho um nome só.
O único campo que eu tenho um favorito disparado é nos livros porque o meu favorito é O Alquimista (Falem o que quiser do Paulo Coelho, mas amo este livro que é simples e sempre me anima de uma forma encantadora. Infelizmente, acho que de uns tempos pra cá os livros dele estão muito chatos.)
Hoje em dia eu sou louca por loiros. Adoro! Adoro aquela sobrancelha loirinha, aquela barba por fazer e o efeito do sol nelas, mas os meus favoritos já foram os morenos e eu mudo de muso a toda hora.
Por que estou falando estas coisas? Porque outro dia eu estava pensando que eu sempre achei que quando eu chegasse a uma "certa idade" eu iria mudar, iria ganhar certezas, saber das coisas, mas não, eu continuo a mesma, indecisa, mutante, não me sinto completa ou pronta pra vida. E nesta altura do campeonato eu acho que nunca vou estar.
Sei que eu estava falando de alguns gostos simples, coisas que não têm tanta importância, mas esta indecisão está em todos os pedaços da minha vida. EU NÃO SEI O QUE EU QUERO! E isso é tão perturbador. Eu não paro de pensar e pensar e de buscar respostas que não vem.
Ultimamente venho pensando sobre o que vai ser da minha vida daqui a uns tempos. Já pensei, já "despensei". Tenho consciência de que não preciso definir o que vai ser do meu futuro porque ele a Deus pertence. E talvez, depois de tanto fazer planos eu veja tudo seguir outro caminho, outra história. E chegar a estas conclusões diminuíram, significativamente, a pressão que estas perguntas estavam fazendo no meu coração, mas não o suficiente.
Eu escuto uma espécie de chamado para que eu comece a pensar sobre isso.
Eu sempre disse e pensei que eu não queria me casar, mas hoje em dia parece que isto já não está tão certo ou tão claro na minha cabeça.
Eu não acredito no casamento. Simples assim! Acho impossível que duas pessoas que são, por natureza, diferentes consigam passar por todas as fases da sua vida juntas e felizes. A gente muda. A gente enjoa da mesma comida, do mesmo corte de cabelo, da mesma cidade. É natural, estamos sempre buscando o diferente. E como duas pessoas vão conseguir enfrentar o fim do encantamento inicial, o fim da paixão, da novidade e do mistério, como vão enfrentar a falta de desejo por sexo, as desavenças, as atribulações da vida, sempre unidas, apaixonadas, e se amando (e nos piores casos até o respeito mútuo se torna impossível)???????? Eu não consigo entender como funciona, e nem acreditar que seja possível.
Para completar a maior parte das pessoas que eu conheço com alguma intimidade, a maior parte dos casamentos que eu vejo mais de perto, sempre me provam que eu estou certa, porque ou alguém traiu alguém (always), ou alguém é submisso, ou... Enfim, sempre tem um drama, uma cilada.
Mas ao mesmo tempo eu fico pensando se vou querer chegar aos 40 anos sem uma família. Sem ninguém com quem eu tenha construído uma intimidade maior, alguém com quem compartilhar a vida. É isso o que eu quero? Eu estou pronta para sustentar esta decisão?
Antes eu tinha certeza que sim, mas agora eu estou cheia de dúvidas.
Eu nunca quis ter filhos. Sempre achei que a vida da minha mãe teria sido muito mais fácil se ela não tivesse me tido, apesar de ela sempre dizer que valeu a pena, eu desconfio que não. Eu não tenho jeito com crianças, não sei lidar mesmo. Não tenho irmãos, quase nunca convivi diretamente com crianças e elas me assustam. Sei que parece piada, mas não é. Agora que eu comecei a trabalhar em colégio, às vezes, eu me pego olhando e dizendo que gracinha, mas isso não é o suficiente. Não é o suficiente para ter um filho, para suportar as manhas, os sacrifícios, enfim.
E eu sempre achei, essa opinião pelo menos eu continuo tendo, é que você não tem que simplesmente querer casar e ter filhos. Acho estranho as pessoas procurarem pessoas pra isso. Acho que você tem que se casar se você achar alguém que você ame tanto que acha que é capaz de superar todos aqueles desafios.
Eu não sei o que pensar. Às vezes eu queria ter as repostas pra tudo, queria me definir, sou assim, assado, penso deste e daquele jeito, odeio isso e aquilo, e não ser assim dessa natureza fluídica, sem definição alguma, só cheia de perguntas e sem as respostas.
Por fim, fica uma das músicas que eu mais amo no mundo! E uma dica de leitura! (http://cemmaisum.com.br/index.php/pequenos-roedores/)




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