sábado, 21 de abril de 2012

O que deu errado?

Estava pensando no que me fez engordar.

Eu sempre fui ou me senti gordinha. E quando eu era criança eu realmente era. Aí, lá meus 11, 12 anos eu dei uma baita espichada e fiquei magrelhinha. E odiava! Sério! Me lembro de uma vez quando eu estava num ônibus, devia ter uns 11 anos, e entrou uma menina gordinha e eu pensei "Queria ser como ela.". Pensava assim porque eu odiava as minhas roupas largas, sempre dando papo e a menina em questão estava com uma roupa mais certinha e tals. Acho que nesse momento um anjo passou e disse amém (justo nessa hora?).

Mas o fato que hoje vejo que na minha adolescência e lá pros meus 20 e poucos aninhos eu não era exatamente gorda. Mas aí veio a faculdade. Eu trabalhava o dia inteiro e ia direto pra faculdade. Adquiri o hábito de comer correndo, e dos lanches. Eu comia muita bobeira. E quando chegava em casa, lá pras 23 horas da noite eu ainda lanchava. E geralmente era um lanche caprichado. Comia e dormia. (o hábito é tão arraigado que as minhas principais escorregadas são nesse horário).

Nos 5 anos de faculdade eu ganhei mais ou menos uns 5 quilos. No último ano talvez tenha até ganhado um pouquinho mais, estava muito estressada com a monografia, estágios...

Mas eu fui mesmo sentir todo o mal que eu fiz a mim e ampliar este mal no último ano. Como já disse no finalzinho da facul depois de ter ganhado uns quilos comecei a fazer, sem muito compromisso, uma dieta pra ficar mais magrinha pra formatura. No início de 2011 eu estava longe de estar magra, mas estava mantendo o pouco do peso que eu perdi e ainda curtindo os benefícios de quase um ano de spinning.

Mas aí, a treva. Terminada a faculdade eu senti um vazio muito grande. Ficava me perguntando e agora o que eu faço? Pra que eu nasci? Qual o meu dom? Sempre achei que depois de 5 anos de Direito uma luz de acenderia e eu encontraria meu caminho. Logo depois, em maio, saí do meu estágio na PGE. Eu adorava o estágio, era meu contato com o Direito, e quando eu saí nem sei explicar como me senti.


Estava formada, depois de muito sacrifício, tinha sido uma boa aluna, mas morava em uma cidade do interior sem muitas perspectivas, meus sonhos com concursos pareciam mais difíceis de realizar do que eu havia imaginado. Depois de tanta comemoração, de tanta festa me vi desempregada e totalmente sem perspectiva. E aquilo me matou. Me minou de uma forma que só hoje eu consigo ver e entender.

E aí, eu fiquei em casa, por um ano fiquei quase literalmente escondida dentro de casa. Só saía pra ir no cursinho, todo o resto do tempo ficávamos eu, minha mãe e nossa cachorrinha Pitty. Durante um ano, depois que eu parei o curso ainda foi muito pior, eu ficava dias sem colocar os pés pra fora de casa.

E aí o que vocês acham que eu fazia o dia inteiro dentro de uma casa pequenininha? Comia, comia, comia.

No meio do ano tive algo tive uma crise depressiva. Não sei muito bem o que foi. Passou. Deixa pra lá.

De repente vi uma luz no fundo do túnel, um concurso mais simples e que era uma solução para meus problemas de dinheiro. Eu ia ganhar pouco, mas ia ter tempo para me preparar para os demais, enfim... Eu caí de cara (afinal era minha tábua de salvação).

Eu acordava, tomava café, trocava de roupa e sentava na frente do computador pra estudar. E ficava ali até altas horas da noite. O único caminho que eu fazia era do PC até a geladeira. A noite geralmente eu sentava pra ver TV e tentar relaxar e eu relaxava comendo.

Outro dia me lembrei, sabe uma coisa que eu adorava? Pegar pão francês, partir no meio, furá-lo e colocar bastante azeite com pimenta e sal e comer. E eu não comia um só. E assim eu fui engordando, engordando... Hoje acho que ganhei até que pouco peso, uns 10 quilos, já cheguei a pesar 92 kg.


Eu notei e vi o que estava fazendo comigo? Sim. Mas sei lá só eu sei o quanto foi difícil, o quanto eu sofri em todo aquele processo. Eu sei que todos nós temos problemas, é a vida, e que isso não é motivo pra gente se descontrolar assim, mas naquela época, diante de todo o turbilhão que estava a minha vida tudo o que eu posso fazer é me perdoar.

É isso, tenho que perdoar. Passou e eu aguentei da melhor maneira que eu pude. Não foi só a grana, o ócio,  foi muito mais. Foi eu duvidando da minha capacidade, da justiça divina, da minha capacidade de vencer na vida... Gente eu venci muita coisa.


Ontem eu tomei posse do meu humilde empreguinho. Só ontem consegui enfim resolver tudo e recomeçar a caminhar. Não é o emprego dos meus sonhos, não paga muito, tudo ainda é bem precário, mas sei que fiz a coisa certa, dei os passos que a vida permitiu e depois deste recuo e olhar pra frente e seguir.

Essa foi a minha música na colação tenho certeza que ainda virão momentos em que a letra dela vai voltar a fazer sentido pra mim.

"É bom olhar pra trás e admirar a vida que soubemos fazer
É bom olhar pra frente, é bom nunca é igual..."



Até...

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